Foto divulgação do Filme – wallpaper Fox-Marvel
Nunca foi minha intenção postar aqui no blog do PyleMusic, matérias relacionadas ao cinema ou coisas correlatas, até porque esse blog é um espaço para a música e os demais assuntos que envolvem este projeto em particular. Mas eu não poderia deixar passar algo importante como este, devido a toda discussão relativa a “pirataria” e o esforço que estamos fazendo aqui no blog (e aqui) para esclarecer as questões relativas a tal “pirataria” e as reais intenções que estão por trás dessa gigantesca campanha em prol do copyright no mundo todo.
Estes grandes grupos multinacionais, que detém a maior parte do bilionário mercado de entretenimento mundial, estão processando pessoas físicas e sites de internet nos quatro cantos do mundo, assim como, a fazer lobby junto a todos os governos do mundo para que endureçam as leis que regem a internet, sequer se importando com a restrição dos direitos do cidadão, alegando que estão perdendo milhões de dólares por culpa do compartilhamento de músicas e filmes através, principalmente, das redes P2P. Mas será que é verdade? Acredito que não!
Em uma matéria publicada no site Info Online no dia 03 de maio, aqui no Brasil, a Fox, distribuidora do filme, juntamente com os produtores do mesmo, anunciaram a arrecadação recorde de 87 milhões de dólares já na primeira semana de lançamento no mercado norte-americano e bilheteria estimada em 160 milhões de dólares para o resto do mundo. Sem contar ai a exploração comercial dos royalts de imagem para brinquedos, música, etc, etc. Esses números mostram claramente que existe algo de muito errado em todo este alarde da indústria do entretenimento a favor de seus négócios.
Gostaria de deixar claro aos nossos leitores que não defendemos a “pirataria”na sua forma danosa de ser, porque compartilhar música não deve ou pode ser comparado a roubo ou “pirataria” digital em um sentido tão amplo assim – a coisa é mais complexa que isso, não é tão simples assim taxar tudo simplesmente de “pirataria”.
Mas não podemos concordar com a exploração do artista e do consumidor, assim como, não concordamos com as práticas coersivas adotadas por estas empresas e pelas posições políticas que alguns legisladores, provavelmente apoiados ou pressionados por estas empresas e que estão tentado transferir para as leis em votação ao redor do mundo e principalmente aqui no Brasil, os desejos dessa minoria de interessados apenas em grandes lucros, fazendo-nos crer que os ladrões somos nós todos, usuários de internet – o que não é verdade.
Estas empresas estão em campanha de desinformação, e possuem algum motivo há para isso, como pode mostrar a própria incoerência dos fatos apresentados na matéria publicada pela Info Online.
Somos a favor de mudanças na lei de direitos autorais, mas que a mudança seja na direção da liberdade e da justiça, na manutenção dos direitos do autor, mas também, na manutenção da liberdade do cidadão e da internet. Somos a favor da criação de um modelo de negócios mais viável aos artistas – autor original da obra, evitando assim, a sua exploração danosa nesse mercado, e proporcionando a todos uma oportunidade igual sem filtros de interesses de minorias, e sim pelo próprio trabalho e mérito junto ao público. Este modelo deve também contemplar o consumidor, oferecendo preços mais justos ao adminirador de música e filmes. Jacques Attali dá um bom exemplo de que podem haver alternativas saudáveis para o mercado e para o sistema de direitos autorais.
Faço-me sempre a pergunta: qual o motivo de se manter os preços abusivos, se a distribuição por meio digital não contempla fatores que compõem os custos físicos de distribuição como transporte, arte e design, embalagem, comissão de varejo, impostos entre outros?
Essa matéria da Info Online é um bom motivo para que a sociedade pense melhor a respeito dessa questão relativa aos direitos do autor e a crimes digitais, para que se debata mais, e que se exija um maior esclarecimento do legislador frente a construção de leis que envolvam um tema tão complexo e de amplo interesse da sociedade.