
“Me convidaram para nascer
me propuseram este falar
me obrigaram a crescer
e esquecer do meu lugar
mas resolvi desesquecer
me permiti me celebrar.”
Apresentação ( Leandro Maia)
Maturidade e idade nem sempre vão juntas.
Um belo exemplo disso é o CD Palavreio, do compositor porto-alegrense Leandro Maia.
Um artista jovem que consegue – no seu primeiro registro – mostrar um trabalho maduro, decantado, redondo, daqueles que só se alcança depois de muito tempo ou, na sua falta, com muito talento.
Chama a atenção também, a sonoridade que remete com naturalidade ao sul, ao pampiano, sem deixar de ser brasileiro.
Palavreio não é apenas um disco. O ser literário do autor joga um papel fundamental em todo o trabalho. Assim, o CD é acompanhado de um livreto em que aparecem as letras das canções, alguns poemas, ilustrações de Jorge Herrmann que lembram literatura de cordel e até escrita em Braile.
Palavreio merece ser ouvido, lido e apreciado por toda pessoa que se interesse por música da boa.
Conheça mais visitando o blog de Leandro Maia
DOBLE CHAPA é um trabalho que estamos começando, com canções em Português, Espanhol e DPU (Dialetos do Português no Uruguai). O nome remete a como são chamados os habitantes da fronteira Brasil-Uruguai.
Nasci em Rivera, Uruguai, fronteira com a cidade gaúcha de Santana do Livramento, e isso me fez transitar, naturalmente, entre duas culturas que – mesmo com muitas coisas em comum – são essencialmente diferentes.
Em 1990 vim morar em Porto Alegre, assumindo definitivamente a minha “dupla nacionalidade”.
Ajudar a construir uma ponte, que liga a música uruguaia com a do sul do Brasil é uma constante nas minhas preocupações estéticas. A música disponibilizada aqui tem ritmo de candombe (o tradicional gênero afro-uruguaio) que domina – de alguma forma – todo o nosso trabalho. A canção foi composta nos dois idiomas, que convivem em harmonia, e se complementam.
Canto e violões: Alejandro Massiotti
Baixo e vocal: Miguel Tejera
Percussão: Mimo Ferreira
Gravação: Sergio Rojas (Porto Alegre, RS)
Update (2 de março): subimos um arquivo com maior qualidade. Quem quiser baixar, pode ficar à vontade.

power of music, de riccardoce em CC no Flickr
(texto publicado no Programa ADD, do Maestro Billy, em 22 de dezembro de 2008)
Nem sei como começar aqui, mas deu vontade de escrever sobre o assunto. O mais dificil não é escrever sobre o assunto, mas sim não virar um grande #chavão. Deixa eu contar algumas coisas pra ver se eu chego onde quero.
Quando eu tinha meus pequenos 18 ou 19 anos, não lembro especificamente, o Silvio Calmon, que era um dos donos do estúdio em que eu trabalhava na parte da noite (de tarde eu atendia telefone e traduzia a Billboard na Band FM e fazia faculdade de manhã), me perguntou se eu queria ser DJ. Topei na hora, óbvio.
Aí ele resolveu em ensinar. Isso era uma Quarta-feira. Aprendi meio que mais ou menos os rudimentos da profissão. A parte técnica teoricamente é fácil, se vc tem um mínimo de conhecimento de música, de tempo, de velocidade, de ritmo.
E então chegou a parte de conhecer as músicas….
O Silvio me perguntou se conhecia músicas anos 70. Na época, eu só ouvia Joy Division e, por aproximação, odiava qualquer coisa que fosse mainstream. Música anos 70 era um dos ódios que eu tinha.
Chic ? Weather Girls ? Sylvester ? Village People ? Lógico que não, né ? Prá quem cortava o cabelo moicano com gilete e ouvia Joy Division, New Order, Alien Sex Fiend, Depeche, Front, e coisas afins, é lógico que anos 70 eu fazia toda a questão de odiar e nem conhecer…
Respondi pra ele que não conhecia absolutamente nada. E realmente não conhecia. Tipo, por nome de banda, nome de música. Se eu ouvisse Le Freak do Chic, eu conheceria a música, mas não saberia quem tava tocando e qual o nome da dia cuja…
Aí ele me disse uma coisa que ficou marcada na minha cabeça e que tento falar a todos que curtem música (99,99% da população mundial):
-Você tem que conhecer todo e qualquer tipo de música, até pra poder falar mal. Não adianta falar que não gosta de alguma coisa se você não sabe do que tá falando.
É isso aí. Na hora, 18/19 anos, pensei que ele tava de sacanagem comigo. O tempo me fez perceber que ele tava e está certo. Leia o texto completo »

Por algumas razões, prefiro adotar a expressão “consciência ambiental” do que “consciência ecológica”. Acho que a primeira é um pouco mais abrangente (ou ao menos tenta ser), pois me parece que tenta inserir o ser humano como parte indissociável daquilo que deva ser um ambiente ecologicamente equilibrado. Tanto que hoje em dia já se fala e escreve em Direito Ambiental do Trabalho, por exemplo.
Esta impossibilidade de dissociação do ser humano do ambiente natural e ecologicamente equilibrado é fato. O homem, queiram ou não, faz parte desse sistema. E esse sistema foi desenvolvido e estruturado por ele e já contando com ele. O seu eventual desaparecimento, podem ter certeza, acarretaria também sérios desequilíbrios na balança da mãe-natureza, mesmo que contornáveis por ela própria. Pois a vida sempre encontra um jeito, como dizia um personagem biólogo do filme Jurassic Parck. No mais, para quem queira aprofundar o tema, recomendo a leitura de “O Mito Moderno da Natureza Intocada”, de Antonio Carlos Diegues.
Contudo, o outro fato é que estamos vendo e sofrendo o resultado de nossa má-interação com o ambiente em que vivemos e do qual fazemos parte. Eis o fato negativo. Então somos maus em essência? Somos inimigos do meio natural desde que nascemos? Nossa existência e bem-estar são incompatíveis com a natureza? Não, ao contrário, é óbvio!
O que fazer então? Modificarmos totalmente o nosso modo de vida, e voltarmos para as cavernas, tribos e aldeias? Impossível. Somos muitos, e a caça e a colheita de frutas não dariam para todos. Talvez o desastre ecológico daí advindo fosse ainda pior. Radicalismos sempre foram as piores e mais burras respostas a um problema real.
Mas como “salvar” a Terra das nossas inconseqüências? Bom, em primeiro lugar, e sinto muito dizer isso, a Terra não precisa ser salva de nós, seres humanos inconseqüentes. Falei acima que “a vida sempre encontra um jeito”. COM ou SEM nós. Como naquela piada que a mulher fala para o marido que sexo na casa deles é feito todos os dias, com ou sem ele. Portanto, “consciência ambiental”, não inicia com essa visão estreita de que estamos “salvando” a Terra. Não, muito ao contrário, estamos, sim, salvando-nos! Pois o planeta vai dar um jeito, seja daqui a 1.000, 500.000 ou 1.000.000 de anos, a vida, ainda que seja sob a forma de uma simples plantinha, poderá retornar. Já a existência humana… é outro assunto.
Apesar de tudo que já ocorreu e nos fez chamar a atenção para o nosso modo de agir, creio que ainda está em tempo de salvarmos a nós mesmos, resguardando o ambiente que vivemos e de que tanto necessitamos. E como fazer isso?
O presente artigo não tem por objetivo servir de roteiro para atuações pessoais “ecologicamente corretas”. Sobre isso, sejamos francos, existem inúmeras campanhas e informações, inclusive na grande mídia. Basta a pessoa querer e procurar se informar.
Uma das máximas nessa questão é “pensar globalmente e agir localmente”. E nada mais acertado, convenhamos.
Assim, e só a título de exemplo, indago: você já comprou uma sacola retornável para as compras de supermercado (problema do excesso de sacolas plásticas nos aterros de lixo)?
Se você disser “não”, porque não quis, problema seu. Se você disser “sim”, ok. Mas se você responder “não”, porque já era desde a muito um consumidor consciente e sempre ia nos supermercados com sua boa e velha sacola de nylon listrada e colorida, comprada nos anos 80, e vou dizer… “Putz! Você fez a sua parte”. Mas será que agora não seria o momento de pagar apenas R$ 2,00 (pela sacola retornável) para conscientizar e difundir essa idéia nos outros consumidores? “Ah, mas alguém está ganhando com a tal sacola nova!?” Infelizmente, sim, é verdade. Mas até onde você iria para agir localmente? R$ 2,00? R$ 5,00? R$ 100,00? Quanto vale o seu futuro?