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  1. Um papo tri legal com Leoni

    Publicado em 10 de maio de 2009 às 1:57 AM Autor: Everton Rodrigues

    Ontem a noite tive um papo tri legal com Leoni. A conversa aconteceu num “café” perto do hotel onde ele estava hospedado. Marcamos as 18h, mas me atrasei 15min, porque eu estava no ponto de cultura Quilombo do Sopapo ministrando uma oficina para a turma de tecnologia da informação. Essa turma está organizando-se para montar um empreendimento de economia solidária. Além disso, perto das 17h chegou um amigo com seu lap top com software livre e um modem 3g recém lançado, o que dificulta a instalação. Então, gastei um tempo com isso, e perdi a hora. Portanto, ta justificado o meu atraso.

    Banda Nuvens

    Banda Nuvens

    Mas, esse papo com Leoni não aconteceu do nada. A rede que queremos construir funcionou. No dia 24 de abril estivemos no Paraná, eu (Everton Rodrigues) e Gustavo Anitelli produtor da Trupe o Teatro Mágico para alguns debates sobre a conferência nacional de comunicação, e entre os temas estava o movimento Música Para Baixar (MPB). Lá, apresentado por Gustavo conheci Raphael da banda Nuvens, onde trocamos muitas idéias sobre o movimento MPB. E para a conversa Raphael convidou o produtor Felipe Simas que produziu show do Leoni no Paraná, e na conversa ele comentou das idéias e práticas do Leoni. Depois disso, eu Gustavo decidimos que iríamos conversar com Leoni para ver o que poderíamos fazer em relação ao MPB. Gustavo ficou com a tarefa de falar com Leoni, e assim o fez por telefone. Numa dessas ligações de Gustavo para Leoni, Gustavo ficou sabendo que Leoni estava em Porto Alegre. Então propôs uma conversa entre eu e Leoni que topou.

    Leoni mantêm o blog Musica Líquida, e lá está debatendo a nova economia da música frente a internet e a convergência digital.

    A conversa girou em torno das novas possibilidades que a internet nos traz, e também concluímos que estamos usando limitadamente essa ferramenta para a formação de nossas redes alternativas a esse mercado da música, que é concentrador e a serviço das gravadoras e editoras, onde a maioria das criadoras(es) e produtoras(es) recebem a menor parte do resultado da economia da música.

    O mundo mudou e está mudando a cada dia com muita velocidade com a internet, e quem constrói a rede é quem mais apropria-se dela, embora vivemos atualmente o paradoxo dos benefícios da sociedade em rede e as perigosas possibilidades da sociedade do controle. Vale dizer que a internet é uma rede de pessoas, e portanto, é como Manuel Castells define no seu livro Internet Galáxia:

    Na Página 34 ao escrever sobre a cultura da internet, ele diz que no atual estágio da internet é bom distinguir entre produtores/usuários e consumidores/usuários. Ele afirma que a cultura da internet é a cultura dos criadores da internet. E essa cultura da internet é caracterizada por 4 camadas:

    Primeira Camada: A cultura tecnocrática que são os geeks ou nerds, que a descoberta tecnológica é o valor supremo; Que para ser respeitado como membro da comunidade e como autoridade deve agir de acordo com as normas formais e informais da comunidade e não usar recursos para seu beneficio exclusivo;

    A segunda camada: Na página 42 Castells fala da cultura Hacker: “Mas um melhor desempenho, quando desvinculado de instituições compensatórias, requer a adesão a um conjunto de valores que combina a alegria da criatividade com a reputação entre os pares (outros membros da comunidade)”

    Suprema nesse conjunto de valores é a liberdade. Liberdade para criar, liberdade para apropriar todo o conhecimento disponível e liberdade para redistribuir esse conhecimento sob qualquer forma ou por qualquer canal escolhido pelo hacker.

    Com isso Castells demonstra que a criação não é motivada apenas pela busca do lucro, mas pode ser pela satisfação imediata que o hacker tem ao exibir sua genialidade para todos. Ou prestígio ou reputação frente a sua comunidade autodefinida que não depende de instituição empresarial ou governamental.

    Na página 43, ele escreve: Há na cultura hacker um sentimento comunitário, baseado na integração ativa a uma comunidade, que se estrutura em torno de costumes e princípios de organização social informal.”
    “Naturalmente, dinheiro, direitos formais de propriedade ou poder institucional são excluídos como fontes de autoridade de reputação”

    A Terceira camada: Comunidades virtuais: Segundo Castells (página 46) As fontes culturais da internet não podem ser reduzidas, porém, aos valores dos inovadores tecnológicos.

    No início as comunidades virtuais eram compostas em sua maioria pelos criadores da internet, mas na década de 80, a maioria dos integrantes não eram peritos em programação. Em 90 com a explosão da internet milhões de usuários levaram para a rede suas inovações sociais com a ajuda de um conhecimento técnico limitado… inclusive na forma de muitas de suas manifestações comerciais, foi decisiva.

    E a quarta camada: Os empresários (lucro) (página 49). A difusão da internet a partir de círculos fechados de tecnólogos e pessoas organizadas em comunidades para a sociedade em geral foi levada a cabo por empresários. (página 52). Os empresário da internet são antes criadores que homens de negócios, mais próximos da cultura do artista do que da cultura corporativa tradicional.

    Trago essa reflexão para defender/propor que adotemos a cultura hacker, a economia solidária na música livre. Porque não podemos levar esse conceito para além dos códigos ou de programar/comunicar através dos computadores? Mudamos o mundo com a prática de uma nova cultura bem diferente dessa nossa atual é claro, e vamos ter que forjar em nosso dia-a-dia.

    Leoni diz que é um dos grandes beneficiados por esse sistema legal pelo sucesso da sua obra, mas que a lei do direito autoral é tão rígida que a juventude está sendo transformada em marginais. Veja esse post no blog.

    Leoni em ShowLeoni em Show – Foto de Zh@nni

    Contei a ele sobre as articulações do movimento Música Para Baixar e da nossa visão em construir espaços/fóruns para refletir sobre a música livre em que tudo poderá ser acessado e disponibilizado na internet de forma colaborativa. Ao mesmo tempo criando mecanismos de geração de renda balizados pelos princípios da economia solidária.

    Leoni defende que quanto mais se da mais se ganha. Entendi que essa idéia parece com o pensamento de que quando plantamos temos o que colher, ou seja, para uma planta viver e dar frutos é preciso dar água, limpar de ervas daninhas e adubar para a planta crescer com vitalidade, e tudo isso é uma doação. Penso que na música também deve ser assim. Não somente na música, mas em tudo. Nem tudo precisa ser vendido.

    Ele também imagina que num futuro muito próximo não vamos precisar baixar música, já que, conectar será muito fácil, e então, compartilhar músicas será como respirar. Com a abundância de músicas ele entende que simplesmente vender música não será mais o negócio, e sim vender produtos agregados, onde comprar produtos dos artistas será um passaporte para acesso a outros conteúdos exclusivos.

    teatro magicoO Teatro Mágico – foto de his bloody valentine sob licença CC 2.0 BY-NC-SA

    Bacana saber que grande parte do repertório do show “A Noite Perfeita” que Leoni está fazendo no RS foi eleito pelos internautas que curtem a obra dele. Isso aconteceu através de uma votação na sua página eletrônica. Além disso o próprio Leoni através do site socializa ingressos para seus shows. Com isso ele acredita que a internet é a ferramenta de comunicação mais adequada para o artista sem intermediários comunicar-se com os usuários da sua música.

    E no final convidei ele para estar em Porto Alegre em junho para nossos debates do movimento MPB. Ele topa. Vamos agora agilizar os procedimentos para isso acontecer.

    Vamos que vamos. Valeu Leoni. Vamos trocar mais idéias sobre esses processos…

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  2. Rapper GOG lança DVD “GOG ao Vivo – Cartão Postal Bomba”

    Publicado em 5 de maio de 2009 às 9:00 PM Autor: Everton Rodrigues

    Rapper GOG

    Foto: Rapper GOG

    Está pronto o DVD “GOG ao vivo – Cartão Postal Bomba” do Rapper poeta GOG (Genival Oliveira Gonçalves) de Brasília, e quem ainda não assistiu, tem ainda a chance de verificar. Para adquirir o DVD acesse aqui.

    Com muitas participações de diversos músicos, o Poeta GOG traz muito conhecimento e informação para a gurizada, moçada, os manos e as minas pensarem.

    Como ele mesmo diz no DVD, que o DVD traz tempos diferentes, músicas diferentes, que tudo é um quebra cabeça, e olhando depois parece algo “muito loco”.

    Como não poderia ser diferente, todas as músicas do DVD buscam a conscientização da juventude, e ele é uma referência para muita gente, e agora cada vez mais é para mim também.

    As músicas tratam da exploração sexual de menores, dos pais que morrem e deixam seus filhos, traz a realidade das periferias de Brasília, canta a dura vida dos trabalhadores e das trabalhadoras, mostra a violência contra a periferia e ao mesmo tempo revela que as periferias tem muito conteúdo e cultura, dos males das drogas, mas o que mais arrepia durante o DVD é a música “Brasil com P“, que com muita lucidez opina sobre os “mundinhos” fechados em que a maioria das pessoas são submetidas.

    “Brasil com P” (veja a letra aqui), traz uma profunda reflexão sobre atitudes vazias e individualistas em que a nossa sociedade está mergulhada. Com certeza para quem tem sensibilidade social “Brasil com P” será um hino. O hino da indignação. O hino da periferia. Essa música já foi cantada com muita gente, mas tive a oportunidade de acompanhar em vários shows do Teatro Mágico e a participação de GOG.

    Já tinha curtido algumas músicas do poeta GOG, mas após o Fórum Social Mundial que aconteceu esse ano em Belém do Pará, onde tive a oportunidade conhecê-lo num grande encontro entre o poeta GOG e Fernando Anitelli num dos palcos do evento.

    Nesse evento além de proporcionar o encontro de dois grande poetas (GOG e Fernando), também está colaborando para algo maior, que é o movimento Música Para Baixar (MPB), e que ta a crescer a cada dia.

    GOG, vô te dizer aqui meu poeta, que a participação de Paulo Diniz foi magnífica.

    Save GOG, Salve, Salve, Salve…

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  3. Qual é a importância dos Festivais de Música Independente?

    Publicado em 17 de abril de 2009 às 11:54 AM Autor: Everton Rodrigues

    fotonin31Foto: Swimfinfan sob licença Creative Commons BY-NC-SA

    Evidentemente que para essa questão existem inúmeras respostas, e cada pessoa de acordo com suas concepções irá defender seus pontos de vista.

    E por isso, vou defender um ponto de vista que temos trabalhado em alguns espaços aos quais tenho participado.

    Os festivais de música são fundamentais em diferentes aspectos, mas irei defender dois: A exposição das propostas musicais das bandas e o fomento sobre a música independente. E esses dois aspectos estão bem em todos os festivais que participei, e que tenho notícias. Muitos festivais além de apenas expor os materiais fonográficos, estão também dedicando tempo ao debate.

    Hoje dia 17 de abril iniciam pelo menos 2 festivais no Brasil.

    logo GIGRockEm Porto Alegre/RS temos o início do o primeiro festival electrorock do Rio Grande do Sul. A produtora Beco 203 que produz também o GIGrock está promovendo nos dias 17 e 18 de abril no Porão do Beco o Electroshock que é totalmente dedicado ao gênero. Veja mais detalhes aqui: http://www.beco203.com.br/views/agenda.php?id=197

    Em Recife/PE hoje também inicia outro importante festival o Abril Pro Rock 2009 de música pop do Brasil, que acontece no Chevrolet Hall, e é produzido pela Astronave Iniciativa Culturais. Mais detalhes acesse aqui: http://www.abrilprorock.info/

    Rock Jr!Amanhã dia 18 de abril inicia também em Porto Alegre a 1ª edição do Festival ROCK JR, que irá reunir inúmeras bandas gaúchas no Centro de Eventos Casa do Gaúcho. Quem está promovendo são as produtoras TAG OPUS e a Marquise 51. Informações acesse: http://festivalrockjr.blogspot.com/2009/02/1-edicao-do-festival-rock-jr-reune-o_25.html

    Mas nós precisamos começar a pensar em dar um novo passo. Precisamos debater a economia solidária da música livre, que certamente não é um tema tranqüilo, mas que carece de debate. É preciso debater profundamente o que nós queremos fazer? Quais são nossas propostas frente massificação da digitalização dos conteúdos e conseqüentemente da múcica. Precisamos saber em tempo de grande compartilhamento da música na internet como vamos remunerar justamente os criadores e produtores sem barrar o acesso livre pelos usuários da música.

    E vamos em frente. Parabéns a todas e todos os promotores de música que não aceitam o modelo atual da indústria da música e buscam construir algo mais justo e solidário.

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