A polêmica do jabá é grande, e a prática é antiga em boa parte dos meios de comunicação de massa. Todo mundo sabe como funciona, mas poucos possuem a propriedade para falar da “coisa”. Mas estou acreditando que a classe artística, na sua maioria que fica de fora do processo “das massas” por conta desse jogo desleal, cansou de deixar por isso mesmo. É o que parece estar nos comentários do post do Leoni lá no Música Líquida à respeito desse tipo de prática nociva, e os cometários também são de gente que sabe do que está falando!
Coincidentemente postei alguns dias atrás a última e inédita música lançada pela banda pelotense de rock Meigos, Vulgos & Malvados, chamada de “A vingança do Jabaculeiro” que trata do mesmo tema e de forma bastante contundente e energética. Vale ouvir e baixar aqui mesmo no blog!
A prática do jabaculê é nefasta e representa um atraso para a cultura de qualquer país. É muito sério, e a sociedade, a maior prejudicada com este tipo de negócio que a afasta da enorme diversidade que é a cultura, precisa combater definitivamente está prática!
Estou acompanhando os comentários ao post do Leoni em seu blog Música Líquida sobre as histórias da prática do jabá no mercado de música brasileiro, e fiquei bastante entusiasmado com a idéia de se estar debatendo abertamente e democraticamente um assunto tão sério e tão prejudicial para a maior parte dos artistas e autores da música brasileira.
A internet tem um papel importante, também, contra esse tipo de ação. É ela a ferramenta que possibilita ao artista “contornar” a falta de espaço nos meios de comunicação de massa ocupados em sua maioria pelo jabá (sem generalizar, por favor!), dito isso, por quem conhece do que está falando. Um dos comentários que me chamou a atenção foi o do nosso Luiz Caldas, mostrando com toda a propriedade, que a internet é o caminho que ele achou para “driblar” o jabá e continuar a nos presentear de forma justa com sua música e de tantos outros grandes nomes da música brasileira. Cada vez fica mais evidente que a internet deve ser preservada livre para que todos os artistas tenham ali seu espaço e possam desenvolver seus negócios de forma justa e ampla.
Precisamos construir meios na internet para que artistas, produtores e demais trabalhadores da arte e da cultura possam ter um espaço justo e democrático para trabalhar e fazer seus negócios livremente e sem a interferência de ações desleais como a do jabá, por exemplo. Nós do PyleMusic acreditamos ser possível construir negócios justos e amplos na internet e estamos trabalhando forte para fazer isso acontecer com nossa própria plataforma, que em breve estará no ar. Junte-se a nós também e colabore na construção de nossa plataforma para um futuro da música justo e solidário.
Abaixo publico na íntegra o artigo do Leoni e convido aos amigos e seguidores aqui do nosso blog a visitarem o Música Líquida para engrossar o debate sobre o assunto, que considero de extrema importância para sociedade brasileira, enfim, isso influência diretamente a construção e o futuro da cultura de um país, refletindo, inclusive, na formação de um povo. Será que tô exagerando?
As Histórias do Jabá – Yes, nós temos jabá!!
Dentro de alguns dias vou lançar meu e-book gratuito, “Manual de Sobrevivência no Mundo Digital”, baseado nos artigos que escrevi sobre o assunto no blog do meu site.
As críticas e comentários de vocês me ajudarão a formatar um livro que pretendo lançar fisicamente – dando os devidos créditos, é claro.
Relendo para fazer correções, achei esse trecho interessante sobre jabá, que mostra como ele ajudou a dinamitar a indústria da música e a torná-la irrelevante – e desnecessariamente cara.
Resolvi então colocar no Música Líquida para degustação de vocês.
As histórias do jabá
Quando a maioria das rádios se interessava por música, o lançamento de um artista importante era disputado a tapa pelas principais emissoras. Todas queriam exclusividade. Por exemplo, quando a Warner ia lançar um novo single da Madonna, procurava saber que rádio estava em primeiro lugar na audiência em cada cidade importante e dava a esta uma ou duas semanas de exclusividade de execução. Com tal privilégio a rádio era beneficiada com ainda mais audiência interessada em ouvir em primeira mão a nova música da artista. Um jogo com vários ganhadores: a gravadora, o artista e a rádio beneficiada. Com isso a gravadora conseguia convencer as rádios a tocarem outros artistas do seu cast. A moeda de troca era música.
Há alguns anos atrás, quando os CDs vendiam horrores e o jabá imperava, se Deus, pessoalmente – o Deus que você quiser -, viesse à Terra para visitar uma emissora de música jovem com retransmissoras por todo o território nacional e dissesse que compôs uma canção divina, com melodia sublime, uma letra celestial, embora escrita em linhas tortas, e que, na sua banda, o solo de guitarra foi tocado pelo Jimi Hendrix, o de trompete pelo Miles Davis, nas guitarras e nos backing vocals ele contou com John Lennon e George Harrison, que a Janis Joplin, a Cássia Eller, a Elis Regina, o Tim Maia e o Elvis Presley completaram o coro, ele ouviria um muxoxo desinteressado e algumas frases sobre a canção não se adaptar ao perfil da rádio, que os artistas não são jovens, que faz tempo que eles não lançam nada novo, que o programador tem que escutar, mas que tem muita coisa esperando na fila e no final viria uma sugestão de “promoção” que ficaria entre R$ 30.000,00 e R$ 50.000,00 para 40 dias de execução, duas vezes por dia e algo sobre renovar o “acordo” depois disso. E a música? Provavelmente nem seria ouvida. Porque isso não é mais o que importa.
Claro que essa postura fez com que, cada vez menos, esse seja um veículo para descobrir artistas interessantes e diferentes. O veículo ficou mais importante que o seu conteúdo.
O custo do jabá
Essa também foi a razão do CD, que como produto é mais barato que o vinil, ter ficado tão caro. Imagine que você tenha que divulgar um artista de grande porte e que, só na rádio, você vai “investir” R$ 500.000,00. Se a previsão de vendas é de 500 mil discos a “promoção” já encareceu um real cada exemplar. Se pusermos em cima disso o lucro do vendedor (mais um real) e impostos, o CD tem que custar R$ 2,50 a mais, pelo menos. Mas quantos CDs vendem essa quantidade? Os que vendem têm que pagar pelos que não vendem. Como eles acertam um em cada dez, a conta vai ficando salgada.
foto: Toban Black sob Licença Creative Commons 2.0 (BY – NC)
O DIA D PARA A MÚSICA BRASILEIRA.
A PEC da Música irá à votação no dia 21, quarta feira, às 14h na Câmara dos Deputados e sua participação é decisiva!
A presença dos músicos, artistas, produtores e outros interessados no tema é fundamental para pressionar os deputados a votarem a favor da PEC. Haverá estrutura para recebê-los e todos estão convidados!
Precisamos de 308 votos (de um total de 513). Contate os deputados do seu estado e peça que votem a favor. Divulgue a proposta em suas redes de relacionamento, blogs, e-mails etc. Esta é a hora de pressionarmos.
Dúvidas: Gabinete do Deputado Otavio Leite (autor da proposta)
Em Brasília: (61) 3215-5437
No Rio de Janeiro: (21) 3388-6240
E-mail: tatiana@otavioleite.com.br / gabinete@otavioleite.com.br
Saiba mais: http://www.otavioleite.com.br/pesquisa.asp?q=pec+da+musica
Renata, obrigado pela dica estamos atentos e na luta também…