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Arquivo de Posts de ‘música líquida’

  1. Leoni conta as histórias do “jabaculê” em seu blog Música Líquida…

    Publicado em 12 de outubro de 2009 às 3:34 AM Autor: Gerson Ramos

    foto: Toban Black - Flickr  sob Licença Creative Commons 2.0 (BY - NC

     A polêmica do jabá é grande, e a prática é antiga em boa parte dos meios de comunicação de massa. Todo mundo sabe como funciona, mas poucos possuem a propriedade para falar da “coisa”. Mas estou acreditando que a classe artística, na sua maioria que fica de fora do processo “das massas” por conta desse jogo desleal, cansou de deixar por isso mesmo.  É o que parece estar nos comentários do post do Leoni lá no Música Líquida à respeito desse tipo de prática nociva, e os cometários também são de gente que sabe do que está falando!

    Coincidentemente postei alguns dias atrás a última e inédita música lançada pela banda pelotense de rock Meigos, Vulgos & Malvados, chamada de “A vingança do Jabaculeiro” que trata do mesmo tema e de forma bastante contundente e energética. Vale ouvir e baixar aqui mesmo no blog!

    A prática do jabaculê é nefasta e representa um atraso para a cultura de qualquer país. É muito sério, e a sociedade, a maior prejudicada com este tipo de negócio que a afasta da enorme diversidade que é a cultura, precisa combater definitivamente está prática! 

    Estou acompanhando os comentários ao post do Leoni em seu blog Música Líquida sobre as histórias da prática do jabá no mercado de música brasileiro, e fiquei bastante entusiasmado com a idéia de se estar debatendo abertamente e democraticamente um assunto tão sério e tão prejudicial para a maior parte dos artistas e autores da música brasileira. 

    A internet tem um papel importante, também, contra esse tipo de ação. É ela a ferramenta que possibilita ao artista “contornar” a falta de espaço nos meios de comunicação de massa ocupados em sua maioria pelo jabá (sem generalizar, por favor!), dito isso, por quem conhece do que está falando. Um dos comentários que me chamou a atenção foi o do nosso Luiz Caldas, mostrando com toda a propriedade, que a internet é o caminho que ele achou para “driblar” o jabá e continuar a nos presentear de forma justa com sua música e de tantos outros grandes nomes da música brasileira. Cada vez fica mais evidente que a internet deve ser preservada livre para que todos os artistas tenham ali seu espaço e possam desenvolver seus negócios de forma justa e ampla. 

    Precisamos construir meios na internet para que artistas, produtores e demais trabalhadores da arte e da cultura possam ter um espaço justo e democrático para trabalhar e fazer seus negócios livremente e sem a interferência de ações desleais como a do jabá, por exemplo. Nós do PyleMusic acreditamos ser possível construir negócios justos e amplos na internet e estamos trabalhando forte para fazer isso acontecer com nossa própria plataforma, que em breve estará no ar. Junte-se a nós também e colabore na construção de nossa plataforma para um futuro da música justo e solidário. 

    Abaixo publico na íntegra o artigo do Leoni e convido aos amigos e seguidores aqui do nosso blog a visitarem o Música Líquida para engrossar o debate sobre o assunto, que considero de extrema importância para sociedade brasileira, enfim, isso influência diretamente a construção e o futuro da cultura de um país, refletindo, inclusive, na formação de um povo. Será que tô exagerando?

     

    As Histórias do Jabá – Yes, nós temos jabá!!

     

    Dentro de alguns dias vou lançar meu e-book gratuito, “Manual de Sobrevivência no Mundo Digital”, baseado nos artigos que escrevi sobre o assunto no blog do meu site.

    As críticas e comentários de vocês me ajudarão a formatar um livro que pretendo lançar fisicamente – dando os devidos créditos, é claro.

    Relendo para fazer correções, achei esse trecho interessante sobre jabá, que mostra como ele ajudou a dinamitar a indústria da música e a torná-la irrelevante – e desnecessariamente cara.

    Resolvi então colocar no Música Líquida para degustação de vocês.

    As histórias do jabá

    Quando a maioria das rádios se interessava por música, o lançamento de um artista importante era disputado a tapa pelas principais emissoras. Todas queriam exclusividade. Por exemplo, quando a Warner ia lançar um novo single da Madonna, procurava saber que rádio estava em primeiro lugar na audiência em cada cidade importante e dava a esta uma ou duas semanas de exclusividade de execução. Com tal privilégio a rádio era beneficiada com ainda mais audiência interessada em ouvir em primeira mão a nova música da artista. Um jogo com vários ganhadores: a gravadora, o artista e a rádio beneficiada. Com isso a gravadora conseguia convencer as rádios a tocarem outros artistas do seu cast. A moeda de troca era música.

    Há alguns anos atrás, quando os CDs vendiam horrores e o jabá imperava, se Deus, pessoalmente – o Deus que você quiser -, viesse à Terra para visitar uma emissora de música jovem com retransmissoras por todo o território nacional e dissesse que compôs uma canção divina, com melodia sublime, uma letra celestial, embora escrita em linhas tortas, e que, na sua banda, o solo de guitarra foi tocado pelo Jimi Hendrix, o de trompete pelo Miles Davis, nas guitarras e nos backing vocals ele contou com John Lennon e George Harrison, que a Janis Joplin, a Cássia Eller, a Elis Regina, o Tim Maia e o Elvis Presley completaram o coro, ele ouviria um muxoxo desinteressado e algumas frases sobre a canção não se adaptar ao perfil da rádio, que os artistas não são jovens, que faz tempo que eles não lançam nada novo, que o programador tem que escutar, mas que tem muita coisa esperando na fila e no final viria uma sugestão de “promoção” que ficaria entre R$ 30.000,00 e R$ 50.000,00 para 40 dias de execução, duas vezes por dia e algo sobre renovar o “acordo” depois disso. E a música? Provavelmente nem seria ouvida. Porque isso não é mais o que importa.

    Claro que essa postura fez com que, cada vez menos, esse seja um veículo para descobrir artistas interessantes e diferentes. O veículo ficou mais importante que o seu conteúdo.

    O custo do jabá

    Essa também foi a razão do CD, que como produto é mais barato que o vinil, ter ficado tão caro. Imagine que você tenha que divulgar um artista de grande porte e que, só na rádio, você vai “investir” R$ 500.000,00. Se a previsão de vendas é de 500 mil discos a “promoção” já encareceu um real cada exemplar. Se pusermos em cima disso o lucro do vendedor (mais um real) e impostos, o CD tem que custar R$ 2,50 a mais, pelo menos. Mas quantos CDs vendem essa quantidade? Os que vendem têm que pagar pelos que não vendem. Como eles acertam um em cada dez, a conta vai ficando salgada.

    foto: Toban Black sob Licença Creative Commons 2.0 (BY – NC)

    Já comentaram: 2 Pessoas Categoria(s): Mercado Música
  2. Um papo tri legal com Leoni

    Publicado em 10 de maio de 2009 às 1:57 AM Autor: Everton Rodrigues

    Ontem a noite tive um papo tri legal com Leoni. A conversa aconteceu num “café” perto do hotel onde ele estava hospedado. Marcamos as 18h, mas me atrasei 15min, porque eu estava no ponto de cultura Quilombo do Sopapo ministrando uma oficina para a turma de tecnologia da informação. Essa turma está organizando-se para montar um empreendimento de economia solidária. Além disso, perto das 17h chegou um amigo com seu lap top com software livre e um modem 3g recém lançado, o que dificulta a instalação. Então, gastei um tempo com isso, e perdi a hora. Portanto, ta justificado o meu atraso.

    Banda Nuvens

    Banda Nuvens

    Mas, esse papo com Leoni não aconteceu do nada. A rede que queremos construir funcionou. No dia 24 de abril estivemos no Paraná, eu (Everton Rodrigues) e Gustavo Anitelli produtor da Trupe o Teatro Mágico para alguns debates sobre a conferência nacional de comunicação, e entre os temas estava o movimento Música Para Baixar (MPB). Lá, apresentado por Gustavo conheci Raphael da banda Nuvens, onde trocamos muitas idéias sobre o movimento MPB. E para a conversa Raphael convidou o produtor Felipe Simas que produziu show do Leoni no Paraná, e na conversa ele comentou das idéias e práticas do Leoni. Depois disso, eu Gustavo decidimos que iríamos conversar com Leoni para ver o que poderíamos fazer em relação ao MPB. Gustavo ficou com a tarefa de falar com Leoni, e assim o fez por telefone. Numa dessas ligações de Gustavo para Leoni, Gustavo ficou sabendo que Leoni estava em Porto Alegre. Então propôs uma conversa entre eu e Leoni que topou.

    Leoni mantêm o blog Musica Líquida, e lá está debatendo a nova economia da música frente a internet e a convergência digital.

    A conversa girou em torno das novas possibilidades que a internet nos traz, e também concluímos que estamos usando limitadamente essa ferramenta para a formação de nossas redes alternativas a esse mercado da música, que é concentrador e a serviço das gravadoras e editoras, onde a maioria das criadoras(es) e produtoras(es) recebem a menor parte do resultado da economia da música.

    O mundo mudou e está mudando a cada dia com muita velocidade com a internet, e quem constrói a rede é quem mais apropria-se dela, embora vivemos atualmente o paradoxo dos benefícios da sociedade em rede e as perigosas possibilidades da sociedade do controle. Vale dizer que a internet é uma rede de pessoas, e portanto, é como Manuel Castells define no seu livro Internet Galáxia:

    Na Página 34 ao escrever sobre a cultura da internet, ele diz que no atual estágio da internet é bom distinguir entre produtores/usuários e consumidores/usuários. Ele afirma que a cultura da internet é a cultura dos criadores da internet. E essa cultura da internet é caracterizada por 4 camadas:

    Primeira Camada: A cultura tecnocrática que são os geeks ou nerds, que a descoberta tecnológica é o valor supremo; Que para ser respeitado como membro da comunidade e como autoridade deve agir de acordo com as normas formais e informais da comunidade e não usar recursos para seu beneficio exclusivo;

    A segunda camada: Na página 42 Castells fala da cultura Hacker: “Mas um melhor desempenho, quando desvinculado de instituições compensatórias, requer a adesão a um conjunto de valores que combina a alegria da criatividade com a reputação entre os pares (outros membros da comunidade)”

    Suprema nesse conjunto de valores é a liberdade. Liberdade para criar, liberdade para apropriar todo o conhecimento disponível e liberdade para redistribuir esse conhecimento sob qualquer forma ou por qualquer canal escolhido pelo hacker.

    Com isso Castells demonstra que a criação não é motivada apenas pela busca do lucro, mas pode ser pela satisfação imediata que o hacker tem ao exibir sua genialidade para todos. Ou prestígio ou reputação frente a sua comunidade autodefinida que não depende de instituição empresarial ou governamental.

    Na página 43, ele escreve: Há na cultura hacker um sentimento comunitário, baseado na integração ativa a uma comunidade, que se estrutura em torno de costumes e princípios de organização social informal.”
    “Naturalmente, dinheiro, direitos formais de propriedade ou poder institucional são excluídos como fontes de autoridade de reputação”

    A Terceira camada: Comunidades virtuais: Segundo Castells (página 46) As fontes culturais da internet não podem ser reduzidas, porém, aos valores dos inovadores tecnológicos.

    No início as comunidades virtuais eram compostas em sua maioria pelos criadores da internet, mas na década de 80, a maioria dos integrantes não eram peritos em programação. Em 90 com a explosão da internet milhões de usuários levaram para a rede suas inovações sociais com a ajuda de um conhecimento técnico limitado… inclusive na forma de muitas de suas manifestações comerciais, foi decisiva.

    E a quarta camada: Os empresários (lucro) (página 49). A difusão da internet a partir de círculos fechados de tecnólogos e pessoas organizadas em comunidades para a sociedade em geral foi levada a cabo por empresários. (página 52). Os empresário da internet são antes criadores que homens de negócios, mais próximos da cultura do artista do que da cultura corporativa tradicional.

    Trago essa reflexão para defender/propor que adotemos a cultura hacker, a economia solidária na música livre. Porque não podemos levar esse conceito para além dos códigos ou de programar/comunicar através dos computadores? Mudamos o mundo com a prática de uma nova cultura bem diferente dessa nossa atual é claro, e vamos ter que forjar em nosso dia-a-dia.

    Leoni diz que é um dos grandes beneficiados por esse sistema legal pelo sucesso da sua obra, mas que a lei do direito autoral é tão rígida que a juventude está sendo transformada em marginais. Veja esse post no blog.

    Leoni em ShowLeoni em Show – Foto de Zh@nni

    Contei a ele sobre as articulações do movimento Música Para Baixar e da nossa visão em construir espaços/fóruns para refletir sobre a música livre em que tudo poderá ser acessado e disponibilizado na internet de forma colaborativa. Ao mesmo tempo criando mecanismos de geração de renda balizados pelos princípios da economia solidária.

    Leoni defende que quanto mais se da mais se ganha. Entendi que essa idéia parece com o pensamento de que quando plantamos temos o que colher, ou seja, para uma planta viver e dar frutos é preciso dar água, limpar de ervas daninhas e adubar para a planta crescer com vitalidade, e tudo isso é uma doação. Penso que na música também deve ser assim. Não somente na música, mas em tudo. Nem tudo precisa ser vendido.

    Ele também imagina que num futuro muito próximo não vamos precisar baixar música, já que, conectar será muito fácil, e então, compartilhar músicas será como respirar. Com a abundância de músicas ele entende que simplesmente vender música não será mais o negócio, e sim vender produtos agregados, onde comprar produtos dos artistas será um passaporte para acesso a outros conteúdos exclusivos.

    teatro magicoO Teatro Mágico – foto de his bloody valentine sob licença CC 2.0 BY-NC-SA

    Bacana saber que grande parte do repertório do show “A Noite Perfeita” que Leoni está fazendo no RS foi eleito pelos internautas que curtem a obra dele. Isso aconteceu através de uma votação na sua página eletrônica. Além disso o próprio Leoni através do site socializa ingressos para seus shows. Com isso ele acredita que a internet é a ferramenta de comunicação mais adequada para o artista sem intermediários comunicar-se com os usuários da sua música.

    E no final convidei ele para estar em Porto Alegre em junho para nossos debates do movimento MPB. Ele topa. Vamos agora agilizar os procedimentos para isso acontecer.

    Vamos que vamos. Valeu Leoni. Vamos trocar mais idéias sobre esses processos…

    Já comentaram: 2 Pessoas Categoria(s): Direito Autoral, Geral, Mercado Música, Responsabilidade Social

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